Atualizações da Semana: impactos do aumento na alíquota do IOF

Bruno Drummond comenta os possíveis resultados dessa mudança para a economia

Confira o áudio completo da entrevista em nosso Podcast:

Para financiar o novo programa Bolsa Família, o governo federal aumentou as alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) nas transações de crédito feitas por pessoas jurídicas, de 1,50% ao ano para 2,04%, e pessoas físicas, de 3,0% anuais para 4,08%. Os novos valores entraram em vigor no último dia 20 de setembro e deverão ser mantidos até o fim do mês de dezembro de 2021.

Nesse episódio do quadro “Atualizações da Semana”, Bruno Drummond, sócio e fundador da Drummond Advisors, comenta o aumento na alíquota do IOF e os impactos que devem ser causados pela mudança na economia brasileira.

“Eu acredito que o IOF sempre funcionou como um pedágio para fazer transações de crédito no Brasil. E essas transações passam por dois lugares: são feitas com os bancos (pessoa jurídica ou física) e por meio das transações de crédito junto a particulares ou entre partes relacionadas. Sempre achei que o IOF nunca foi um imposto eficaz de ser recolhido, pois só é recolhido quando você tem o crédito para terceiros (instituições financeiras, corretora, crédito de carro)”, explica Drummond.

Segundo o executivo, existe uma certa precariedade na prática de coletar o IOF. “No final do dia, o IOF tende a reduzir suas transações econômicas e aumentar o custo dessas mesmas operações. Tudo isso em um local onde esse tipo de processo não deveria ser necessário”.

Drummond reconhece a necessidade de existir uma fonte para subsidiar o Bolsa Família, mas acredita que aumentar a alíquota do IOF não é o mais indicado nesse caso. “Esse tipo de taxação só acontece no universo dos bancos e corretoras, ou seja, está restrito e não é completo.  Não é igual ao CPMF, que no passado era um imposto muito eficaz. Todo mundo pagava e os bancos pagavam ao governo, então tinha um impacto muito rápido na economia e nos fundos”, explica.

Para o empresário, nesse momento de retomada econômica, o que o Brasil menos precisa é que o crédito fique mais caro, tanto para as pessoas físicas quanto para as jurídicas. “Não faz sentido colocar um custo a mais em um local de onde poderiam sair recursos para amenizar os efeitos da pandemia na economia. Esse valor extra para cobrir o Bolsa Família poderia ser recolhido de outros lugares. O Brasil é um dos maiores produtores de soja do mundo. Esse pedágio poderia ser embutido na exportação, por exemplo. Existem muitas outras possibilidades”, afirma.

“O IFO terá um impacto de três a quatro meses na economia, mas acredito que não vai atingir o que eles gostariam para a arrecadação do Bolsa Família. Nesse momento, o único aspecto positivo sobre essa ação é tentar fazer um fundo para essa iniciativa social que é um plano importante para o país. Acredito que em dezembro teremos uma nova sinalização do governo sobre qual será o futuro do IOF”, finaliza Drummond.

Escrito por Aline Ribeiro, Consultora de Conteúdo da Drummond Advisors

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